Trilhos da Ferrovia Vicente Vuolo trarão indústrias, além de produtos de valor agregado para Cuiabá

  18 de Maio de 2017

Os trilhos da Ferrovia Senador Vicente Vuolo deverão trazer para Cuiabá e municípios vizinhos não apenas desenvolvimento econômico e geração de trabalho com a instalação de seus terminais e indústrias que podem ser construídas, mas também produtos de valor agregado de outros Estados e redução de frete perante o modal rodoviário. A ampliação dos trilhos de Rondonópolis a Cuiabá e posteriormente até Sorriso, como está sendo estudando, deverá ter R$ 5 bilhões em investimentos no total.

Os trilhos da Ferrovia Senador Vicente Vuolo chegaram de fato a Mato Grosso em 2000 com a inauguração do terminal de Alto Taquari e avançaram até Rondonópolis em 2013. O próximo passo é Cuiabá e posteriormente Sorriso. No total estimasse que o trecho de aproximadamente 600 km, ou seja, de Rondonópolis a Sorriso, passando por Cuiabá, tenha um investimento de R$ 5 bilhões.

Em nota enviada ao Agro Olhar, a Concessionária Rumo ALL, que detém a concessão da malha ferroviária da Vicente Vuolo em Mato Grosso, pontua que "que vem estudando o referido projeto, em virtude das solicitações do Governo Estadual e de diversas entidades do Mato Grosso, que demonstram interesse na obra por sua importância para o Estado. Dados sobre capacidade, demanda e investimentos ainda não foram definidos".

Segundo especialistas, espera-se uma redução média de 50% do frete rodoviário com a chegada dos trilhos até Cuiabá, principalmente de cargas vindas de outros Estados, e que a Capital mato-grossense tenha uma procura para a instalação de indústrias.

"Com a chegada dos trilhos à Cuiabá teremos a vantagem da vinda de produtos do Sul e do Sudeste. Cada produto tem seu valor. Então, a redução do frete dependerá disso. Além disso, você melhorando a logística permite que mais indústrias se instalem aqui. Contudo, é preciso que o governo venha de encontro com um programa de incentivo para trazer essas indústrias", comenta o diretor do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz.

De acordo com o presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo, os benefícios que poderão surgir com os trilhos até Cuiabá, e posteriormente Sorriso, são imensuráveis. "Basta analisar o impacto positivo que a chegada da ferrovia trouxe aos municípios que tiveram seus terminais instalados como Alto Araguaia e Rondonópolis. A movimentação econômica aumentou, muitas empresas se instalaram, terras valorizaram e novos postos de trabalho surgiram".

Francisco Vuolo acredita que para Cuiabá os benefícios serão ainda maiores, pois a cidade é o centro consumidor do Estado, o que permitirá um fluxo de produtos a serem transportados de São Paulo para Mato Grosso, a chamada carga de retorno. "E, esse fluxo com certeza trará produtos industrializados de valor agregado".

O presidente do Fórum Pró-Ferrovia pontua que alguns segmentos industriais já instalados em Mato Grosso tem interesse na ferrovia para o transporte de cargas de outros Estados para cá. "Tivemos uma solicitação de um empresa de cimentos , que tem o interesse de trazer de trem o chamado coque de petróleo, que é um insumo utilizado para dar liga ao cimento, e que hoje é transportado por caminhões até a região de Nobres".

Questionado sobre uma possível redução de fluxo de caminhões nas principais rodovias federais de Mato Grosso, como as BRs-163, 364 e 070, Vuolo afirma acredita que a princípio não haverá uma queda no trânsito.

"Mas, com certeza teremos um novo formato no modal. Até porque não cabe à ferrovia ir até as fazendas para carregar a colheita. Quem sempre cumprirá esse papel serão as carretas. Devemos entender que cada modal cumpre um papel dentro da logística. Nós defendemos um equilíbrio entre os modais", diz Vuolo.

O presidente do Fórum Pró-Ferrovia acrescenta ainda que "É inadmissível que um país como o nosso viver situações como as que ocorrem em Mato Grosso, onde o caminhão carrega em Sorriso e percorre mais de 2 mil km para descarregar no porto de Santos (SP) ou Paranaguá (PR). Essa tarefa de longos percursos, com riscos maiores de acidentes, roubos e menor segurança, não cabe ao transporte rodoviário e sim ao ferroviário ou hidroviário. Por isso, teremos os caminhões fazendo as curtas distâncias, viajando na mesma intensidade, e os trens as longas distâncias".

 

Fonte: Olhar Direto/Agro

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